sexta-feira, 10 de junho de 2011

Uma brilhante e clara imaginação

Eva era uma criança surpreendente, tão surpreendente, que tinha o mundo aos seus pés. Os pais faziam o que podiam para dar-lhe uma boa infância, uma garota cujo tinha vários amigos, brinquedos, boas notas na escola, obediente, porém nada disso não a satisfazia, ela não era mimada, nem era carente. Durante a semana sempre ia a escola estudar e ‘’exibir’’ suas bonecas às amigas, elas a tinha como uma rainha, Eva, tinha um grande senso de liderança. Nos fins de semana todas elas se reuniam na casa de uma das meninas do grupo, para conversar e fazer um tipo de terapia, penteavam os cabelos enquanto todas elas criavam algum tipo de fantasia e chamavam de segredo, nenhum era real, passavam a noite toda inventando amigos imaginários, cansavam e dormiam.
Em uma dessas noites, Eva criou uma amiga imaginaria tão ‘’real’’ (para ela) que com ou sem aquelas meninas da escola ela tinha a quem contar historias sem que essas fossem espalhadas, Eva tinha achado em quem confiar, algumas vezes ela se sentia perdida, porém ela sempre recorria  à essa amiga imaginaria, definitivamente, Eva nunca mais ficou só, sempre conversavam sobre, ‘’coisas de meninas’’, sobre artes, era impressionante como elas tinham afinidade, discordavam em algumas coisas, poucas, embora Eva gostasse mais de chocolates e a sua amiga preferisse balas.
Eva tinha crescido um pouco, sua forma de pensar se tornou mais adulta em relação às outras crianças que queriam apenas brincar, ela aprendia os valores de uma vida social a todo o momento, sua conduta moral era moldada a todos os dias, aprendeu a dividir, a ajudar, embora não em uma realidade convencional, para todos, não era uma realidade convencional, ela estava enlouquecendo, uma menina conversando com o “vento”, brincando como “vento” pra os outros, Eva estava enlouquecendo. Porém para Eva, tudo era normal, não havia nada demais em ter uma amiga que todos não poderiam ver, ela conseguia. Seus pais acharam tudo aquilo estranho e decidiram enviar Eva a uma psicóloga.
Chegando na sala, a psicóloga contou de forma lúdica para Eva que nada disso era real, que ela deveria se apegar ao que era visível, porém Eva disse que, não existe graça ao que é visível, somente no que é invisível há mistério, e isso ninguém ver, essas coisas a agradavam. A psicóloga achou estranho, aquela criança falando como uma pessoa de idade avançada, porém a pequena garota tinha realmente razão. Com mais algumas sessões de terapia, Eva estava farta de dizer que realmente conseguia acreditar que sua amiga realmente existia, decidiu negar a cria de sua imaginação, e a psicóloga a deixou ir embora. Finalmente Eva estava a salvo.
Passou alguns dias sem lembrar de sua amiga imaginária, até que um certo dia, comendo balas, lembrou-se e resolveu chamar sua imaginação, tentou muitas, muitas vezes, estava cansada de tentar fazer com que sua amiga a escutasse, até que desistiu. Com o passar dos anos, Eva começou a escutar sons que normalmente não escutara, ela tinha finalmente reencontrado o fruto de uma mente fértil; Sua amiga, sem nome até então, queria saber o motivo da mentira, eram tão leais, Clara, e Eva tiveram uma longa e demorada discussão sobre verdades e mentiras, Clara tinha se afastado de maneira que não mais voltaria a se falar com tanta frequência nem tanta “verdade”, não se tratava de uma relação falsa, tratava-se de uma relação de lealdade quebrada por mentiras, negações.
Eva cresceu, porém ainda guardava doces lembranças de Clara, sentia falta das noites na casa das amigas, das conversas jogadas fora, de dividir balas, chocolates, brincar com o vento, o fato é que Clara, era fruto de uma imaginação infantil que tinha se tornado real para Eva, ambas eram irmãs, Clara desapareceu com o passar dos anos, tornaram-se conhecidas estranhas, Eva cuidou de sua vida, ocupou sua mente com coisas mais imediatas, não tinha mais tempo para uma amizade imaginária. Quanto a Clara, essa desapareceu.

sábado, 4 de junho de 2011

Bastava acreditar

­­­­­­­­­Havia uma sociedade formada por insetos, dentro dessa sociedade havia subdivisões, o Inseto de ordem Superior, no qual era tão perfeito e isento de erros, nenhum outro inseto poderia chegar a tamanha perfeição, esse Inseto Superior comandava e ditava as regras para essa sociedade. Após esse ser supremo tinha os insetos chamados passíveis, esses insetos erravam, seguiam as ordens colocadas pelo Inseto Superior, eram totalmente passiveis, porém sem eles essa sociedade ‘parava’, eles eram responsáveis pela busca de alimentos, pelas construções, eram verdadeiras máquinas de trabalho, porém não eram perfeitos.  Havia outra subdivisão, na qual todos sentiam nojo, e nenhum inseto queria ser parecido ou seguir o estilo de vida desses insetos, todos os insetos passiveis, tinham medo dessa espécie, por onde eles passava, não demorava muito, as flores murchavam, as folhas caiam e todos ficavam doente, uma doença ainda desconhecida, esses insetos nojentos não temiam a todos, eles temiam o Inseto Superior, no qual como mencionado, tudo comandava.
No começo da fundação dessa sociedade, os insetos destruidores eram aliados ao inseto superior, eles ficaram encarregado de dar os primeiros passos para tal civilização, plantar, colher, eram todos responsáveis pelo bom andamento do povo, eles. Houve um tempo onde tudo ocorreu de forma ordenada, até que em um certo momento esses ‘aliados’ acharam que poderiam também dar as mesmas ordens que o Superior dava. Eles tentaram a todo custo até o momento que foram exilados, passado um tempo, voltaram.
Nesse determinado tempo a cidade já tina sido povoada com os passiveis, os insetos destruidores chegaram de forma assustadora, fazendo com que aquela região se tornasse doente, muitos passíveis acreditaram que essas doenças não eram capazes de os atingir, de tanto acreditar, tornou-se verdade, porém os que se deixaram ser levados pelo pensamento de que seriam impotente ficaram abatidos, doentes, grande parte dos passiveis se entregaram de fora que nunca mais pudessem estar ‘puros’ novamente, outra parte não aceitou aquela situação imposta por seres exteriores ao que eles acreditavam.
Parte dos insetos doentes levavam suas doenças como rotina, eles achavam que estava tudo normal, que com apenas alguns remédios eles seriam curados desse surto doentio, muitos de fato, gostavam (e muito) de estar doentes, era a melhor coisa que poderia ter acontecido em suas vidas, nada de trabalho, nada de ‘ordens suprema’, porém essa tal liberdade trouxe a fome, por exemplo, em uma sociedade onde todos trabalham para consumo interno, quem não planta, não colhe, se tornaram preguiçosos, eram escravos de suas próprias vontades.
Outra parte dos insetos doentes, perceberam que esses ‘insetos radicais e livres’ não tinham nada de radicais ou livres, no momento em que se deixaram agir pela emoção, todas as coisas dotadas de razão foram deixadas de lado. Esses insetos passíveis, doentes, buscaram ajuda com o seu líder, ou supremo como queira. O Inseto superior, no qual todos queriam ser parecido, dotado de inteligência, saúde, razão e humildade, se compadeceu da situação dos seus seguidores e resolveu lhes ofertar o elixir de cura. Ninguém sabia que o Inseto Supremo, já sabia que isso iria acontecer e que o mesmo tinha preparado essas doses de cura. Não passava de um efeito placebo. O que o Inseto Supremo queria era apenas fazer que tudo aquilo não passava de uma mera enganação da raça inferior.
O inseto Supremo esperou que os que se sentissem à vontade dele o chegassem e pedissem o elixir, ele não negava, dava e ainda os aconselhavam a como seguir sem que essa peste viesse novamente tirar a tranquilidade de suas casas. Por fim, os que se deixaram levar pelo comodismo, muitos morreram pouco tempo depois, sem força para trabalhar nem ao menos viver. Os insetos destruidores estavam a espera de mais algum ‘bobalhão’ que caísse nas suas presas. Os insetos passíveis que deixaram o comodismo de lado e acreditaram em si, conseguiram mudar o curso de suas historias, e criaram uma nova sociedade, onde todos viviam harmoniosamente.
Quanto ao Supremo, ele estava agora, vagando entre as duas cidades, assim todos os que quisessem sua ajuda poderiam chegar a ele de forma rápida e tranquila. Ele estava ali para ajudar todos os que precisavam, ele estava ali para mudar quem queria ser mudado, e aconselhar aqueles que já tinham passado por uma fase ruim, era normal, todos passam por fases ruins cabia ao próprio ser, permanecer morrendo aos poucos, ou sair de determinada situação, bastava acreditar.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Um bom brasileiro

Ele era um bom moço, andava sempre arrodeado de boas companhias, sempre tinha boas conversas, era intelectual e tirava boas notas na escola, seus pais o tinham como exemplo para os seus outros três irmãos. Desses três irmãos, não havia nenhum que desse menos dor de cabeça aos pais, os ambos eram maus elementos em uma sociedade cheio de moralismo, como visto, apenas o quarto filho era o exemplo a ser seguido, o bom moço.
Passado algum tempo, esse menino começou a andar com companhias que todos julgavam como companhias ruins, esses amigos o ensinaram a quebrar regras como ninguém, o dinheiro antes aplicado em ensino, agora era aplicado em sexo com mulheres de várias etnias, achou as drogas, conseguiu facilmente com esses amigos, até que ele começou a questionar seus valores, se o que tinha aprendido era realmente certo ou se estava sendo apenas um protótipo dos pais.
Depois de muito pensar, ele chegou à conclusão de que poderia conciliar a vida de ‘pegador’ com essa ‘menos’ descolada, na opinião do sujeito, ele foi seguindo com esse estilo de vida invejado por todos, para seus amigos ele era apenas mais um ser insignificante que tinha sido moldado segundo o molde construído pelos amigos, ele porém pensou que estava livre, tinha finalmente virado um homem, conseguido independência.
Até que todo esse pseudo poder subiu à sua cabeça, largou a família, amigos, o trabalho, vivia só, comprou casa, carro, viajou, pegou todas as mulheres que julgava boa, acabou com o sonho de criança de todas elas, se afundou em mais drogas, cheirava uma carreira todos os dias, no mínimo. Ele começou a pensar como um positivista no sentido de viver sozinho, se sentia um homem evoluído. Passou anos assim.
Achou uma mulher que o deixou como um otário, pensava nela todas as vezes que ele via uma mulher qualquer, ela era realmente uma linda mulher, seios fartos,  cabelos escuros e longos, olhos castanhos e amendoados, suas palavras saíam de sua boca como música, a forma como ela caminhava o fazia pensar de forma linda o mais grotesco sexo, de fato era uma mulher arrebatadora. Ele até que conseguiu ficar com ela por uns anos, ele passou a ser um sonhador.
Mas o que ele não sabia era que essa mulher foi moldada como um simples ovo de pascoa pelos mesmos amigos  que o moldaram anos atrás, assim como ele fez com muitas, acabou com o sonho do ‘príncipe encantado’ , ela acabou com o sonho de adulto dele, uma mulher perfeita, descobriu doenças quase que incuráveis, estava doente por conta das atitudes tomadas anteriormente, um perfeito idiota tinha caído nas garras de si mesmo.
Hoje esse senhor tenta voltar a pensar como antes, se arrependeu do que fez, tenta voltar a ter contato com sua família, não achou mais a musa que o fez a beleza de se sentir um só, os amigos se tornaram desconhecidos, haviam mudado por ironia do destino, a respeito dos outros 3 irmão, ele tentaram encontrar um rumo para suas vidas antes que fosse tarde demais, conseguiram. Enquanto o rapaz, provavelmente ele nunca vai ter o tempo necessário para voltar atrás e consertar seus erros, apesar de tentar viver de forma nova hoje. Ou então ele até poderia ter um final melhor quem sabe, encontrando uma mulher que o fizesse melhor em relação a vida. Aos amigos, ele nunca mais encontrou amigos.

Ah! Como seria bom se seus amigos, realmente fossem seus amigos.