sexta-feira, 27 de maio de 2011

Em memória ao pai.

Ele tinha 6 anos, porém a responsabilidade de um homem de 50 anos, o pai era apenas um velho rico com uma grande quantidade de bens a serem conservados. O filho o amava.
Ele era um pai ausente, achava que o dinheiro supriria a real necessidade que um pai tem de um filho. O presenteou com as melhores escolas, as melhores roupas, ele tinha uma influência totalmente enorme na sociedade, porém acabou por deixar o filho só. O pai entrou em depressão profunda, e a responsabilidade daquela criança foi aumentando, aquele menino passou a cuidar de tudo o que o pai o tinha. O menino acabou por perder sua infância, ele cresceu.
Passaram se anos, o menino se tornou um adulto e o pai continuava em depressão, o menino deixou sua namorada, com ela tinham um relacionamento estável, deixou suas responsabilidades de lado, conseguiu muitas companhias, apenas amigos de sexta e sábado à noite, se deixou levar pelas más influências, foi até onde lhe achava conveniente, ganhou carros, fama e mais dinheiro, achou que estava ‘vivendo’ .
Após semanas, ele percebeu que o pai precisava dele apesar de não merecer tanta atenção, o filho esqueceu de si,  e passou a viver a vida do pai, frequentava as reuniões, passou a tomar partido da conservação dos bens do pai. Parou os estudos e continuou com o antigo estilo de vida, porem com a responsabilidade que lhe foi obrigada.
O pai quase morto, quase em estado vegetativo, beirando a morte pediu para que um de seus empregados ligasse para o filho, assim foi feito. O filho chegou ao lado da cama onde seu pai estava e o pai sussurrando disse para que ele lhe dissesse ao menos um dos valores que o ensinou quando criança, o filho deu uma volta em suas memórias e viu que nada tinha aprendido com o pai.
Já fazia umas 3 semanas desde a morte do pai, o filho não se conformou de não ter falado nada ao pai, o filho hoje tenta se livrar da responsabilidade deixada pelo pai, mas não consegue, essa responsabilidade deixada como legado, é a presença do pai transformada em concreto, o filho então vai vagando pelas terras, em memória ao pai.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

A mulher visivelmente invisível.

Compre aquele carro, more naquele bairro, case com uma mulher que te satisfaça, ela deve trabalhar, deve ser uma que lave, passe, cozinhe e no fim da noite ainda esteja pronta para aguentar você no pé do ouvido dela. Case com uma mulher na qual esteja de pé as 6 as manhã com seu café pronto, com as crianças arrumadas pronta para leva-los à escola e logo após ir ao trabalho, de 8 da manhã até as 10 da noite.
Você às 3, está de mau humor por ter que ir até a escola pegar seus 2 filhos. Você então decide ligar para sua mulher, e a trata como uma empregada irresponsável, deixa seus filhos na escola de línguas, e volta ao seu escritório que fica em casa você lembra que seus filhos estudam a 2 quadras de casa, e que a escola de línguas é em um prédio a 30 metros da sua casa. Continua de mau humor.
Sua esposa chega, vocês passam 10 minutos brigando, de 10:00 até as 10:10 da noite, seus filhos estão no quarto assistindo aos filmes e brincando com os brinquedos que sua esposa comprou, um de seus filhos vê aquela cena, você a tratando como uma empregada incompetente por não cumprir com seus deveres. Sua esposa chorando, faz o jantar, fala com os empregados, diz que estão todos liberados por mais um dia de trabalho. Fala com os filhos, e decepcionada vai até um hall na sua casa, seus filhos a essa altura já dormem como anjos, está na hora de dormir, você vai até sua esposa e a pede desculpa por ter lhe tratado de tal forma. Ela de bom coração aceita suas desculpas. Vão para cama e passam a noite juntos.
No outro dia a mesma rotina. Café, escola, trabalho, casa, briga... Isso acontece por meses, até que em um dia ela desiste de tentar fazer com que esse casamento dê certo, ela diz que quer separação, você a trata de forma inadequada. Ela se despede dos filhos que só poderá vê-los no fim de semana. Você acorda e ver, que não há café, não há roupa, não há quem leve as crianças à escola e brinque de ‘avião’ para distrair seus filhos no caminho, descobre durante a noite, que sua casa está em desordem, descobre que, parabéns acaba de perder a mulher de sua vida.
Você está agora com 50 anos, pensando como seria ter aquela mulher ao seu lado, pensando mais, como seria ter sua família ao seu lado, até por que seus filhos decidiram morar em países no exterior, você está completamente só, você não tem ao seus pais, nem seus filhos, nem sua esposa, e o pior, você não tem mais nem mesmo a você, pronto, você acabou de descobrir que perdeu tudo, até a sua própria vida, na qual não deu o menor valor.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

O Nômade o Mamão e as Laranjas

Haviam dez nômades, nove na faixa dos 60 anos, e apenas um com 20 anos, perderam sua vida a procura de mamões perfeitos, apenas o de 20 teria de continuar sua procura.
Falaram a ele que os melhores mamões não existiam mais, os que esses mamões que ainda existiam, tinham donos, que por sinal não davam nenhum valor à beleza desse mamões, eram mamões sem defeitos, cheiravam bem, possuíam o interior extremamente atraente, tanto quanto seu exterior, eram perfeitos, porém escassos, os nove velhos passaram 50 anos de suas vidas atrás desses mamões, alguns conseguiram ao menos tocar em um desses mamões, outros não tiveram a mesma sorte. Havia também várias laranjas, algumas mais azedas do que as outras, umas maiores outras menores, mas cada uma com sua beleza, não eram perfeitas. Era quase um insulto à honra comer laranjas e não conquistar mamões, era questão de honra conseguir ao menos um mamão durante sua vida.
O jovem de vinte anos não se conformava em ter que ficar ali ouvindo instruções de como achar o mamão perfeito que lhe desse segurança e o saciasse todas as vezes que pedir, lhe era ensinado a maneira de como agir para conquistar esses difíceis mamões, como devia subir em um mamoeiro sem que caísse ou quebrasse de vez esses poucos mamões escassos que restavam sem donos. Sozinho, foi à procura pelo mamão que o saciasse e atendesse as suas vontades sempre que pedisse. Andou por meses, alimentava um pensamento de que quando achasse esse mamão, iria dar o valor necessário, iria fazer diferente de todos os outros donos, afinal andou meses a procura de apenas um. Achou, o jovem chegou a provar esse mamão, saciou sua vontade, seu desejo, foi tratado da forma no qual todos julgam ser a maneira correta para os seus padrões, quis voltar para casa e mostrar o que tinha conseguido.
Durante sua volta, viu que havia vários mamões jogados no caminho, todos sem donos, porém, estraçalhados, se tornaram laranjas, ele acreditou que nunca faria do seu mamão uma laranja, azeda e sem beleza alguma. Apenas achou, com o passar dos dias, seu comportamento diante aquele mamão que fazia suas vontades, se tornou indiferente, já não tratava o mamão com tanto fascínio, era sempre o mesmo sabor, as mesma cor porém ainda tinha um grande respeito pelo mamão, tinha passado por dias gloriosos ao lado do mamão. Porém depois que viu que esse mamão não mudava, não lhe satisfazia mais, decidiu apenas respeitar, começou a se questionar, o que tinha de tão ruim com as laranjas, se fossem tão ruins, os mamões não se transformariam em laranjas verdes, decidiu abandonar o mamão e provar da laranja.
Se apaixonou por aquela laranja azeda, que conforme os dias, variava de cores, passava do azedo ao doce de forma jamais vista, as laranjas eram mal vistas pelo fato de serem azedas e pelo fato de existir muitas laranjas iguais, mas, ele nunca tinha achado algo tão incomum quanto as laranjas, teve muitos dias ruins com essa laranja, apesar de alguns dias bons, a maneira de tratar a laranja era de difícil compreensão para qualquer ser dotado de inteligência, em alguns dias tinha a laranja como um objeto, mas em outros dias tinha a laranja como um ser vivente. Era a mais perfeita laranja, porém, já estava de saco cheio dessa laranja que mudava tanto, estava cansado de tanta surpresas. A laranja nunca o saciava como ele queria.
Então ele se lembrou do mamão, sim, aquele mamão perfeito, no qual o saciava e supria suas necessidades, aquele mamão previsível, que tinha cor e textura perfeita, passaram 30 anos, agora aquele jovem não era mais um jovem, era um homem de meia idade tentando voltar pra casa, tinha uma historia a ser contada as outros nômades, chegou em casa e viu que estava só, viu que não tinha mais como ir atrás do tal mamão, achou-se em desespero, provou mais laranjas e laranjas afim de encontrar ao menos uma que lhe fizesse lembrar o mamão, foi mal sucedido, suas esperanças havia morrido junto com os extintos mamões, ele perdeu o ultimo mamão que tinha, não havia mais mamões iguais, apenas laranjas iguais.

sábado, 14 de maio de 2011

Sorte?

Fiquei perdido por umas 2 horas, apesar das pessoas ao meu lado, me senti perdido, sem acesso a qualquer canto, ilhado, sem saber como fazer, o que fazer. O local parecia muito um centro comercial de qualquer cidadezinha, a minha direita comida e gente, muita gente, a minha esquerda, tinha uma rua que não dava alugar algum, e ao meio, entre os dois lados, um pequeno córrego que media cerca de 2 palmos. Decidi pedir ajuda, afinal, eu não estava só, pedi a uma senhora que aparentava uns 50 anos ou pouco mais, de cabelos brancos, estatura media, olhos azuis e braços longos, cansada, provavelmente de tanto pensar achar a saída de um local caótico como aquele como eu encontraria a saída dali, o máximo que eu encontrei foi um, “Desculpa, não sei.” Consegui ver pessoas que se arriscavam de todas as maneiras para tentar sair dali, alguns achavam que indo pelo córrego encontrariam uma maneira fácil de escapar, outras pessoas se arriscavam a encontrar um local de saída no meio de muita gente, muitas dessas pessoas, se perderam na tentativa de escapar, e se acomodaram com a situação na qual se encontravam. 
Decidi aguardar, na esperança de que um dia talvez fosse sair dali, achei um rosto conhecido, conversamos e decidimos que iriámos esperar, logo saímos, não pelos lados ou pelo meio, mas encontramos saída no lugar aonde não havia saída, e estava situada duas ruas após o nosso ponto de partida, voltamos ao início, novamente e novamente, avistamos o lugar de maneira mais calma, tínhamos saído dali, não por sorte, não por informações, mas por acreditar que a saída estava mais perto do que imaginávamos.
Um dia desses, eu tava maquinando às 3 da manhã, o modo de como as coisas ocorrem na vida das pessoas, sabe, as pessoas costumam sempre achar que o que acontece de bom ou ruim em suas vidas, é de fato mérito de sua sorte ou azar. Acho que a sorte não passa mais do que um conjunto de ações tomadas, que influenciam no que acontece hoje em sua vida, por exemplo, a parábola do Semeador, cada um colhe conforme o que foi plantado. Olhe seus passos anteriores, não é atoa que está aí, recentemente li um trecho de um livro que me surpreende a cada vez que eu o leio, “Cada pessoa é escrava daquilo que a domina.” 

Não se perca em você de maneira que não poderá se achar.

 A propósito, eu não acredito nesse lance de sorte.