quarta-feira, 10 de agosto de 2011

(Quase) heroi

“Sempre era assim, começava com suor e logo após sentia calafrios, seus pés estavam paralisados e suas mãos quase não mexiam mais, socorro!”

O menino acordava sempre nessa parte do sonho, já tinha ficado dias sem dormir, mas todas as vezes que ele tentava ao menos descansar os olhos, ele via a cena de um homem com uma máscara preta no rosto, apontando uma arma para uma pessoa, que rapidamente parecia sensível em meio a tanto sangue e lágrimas, porém com um ar de vitória, sempre.

O menino cresceu em meio a fábulas de reinos e mundos paralelos onde sempre havia um guerreiro que servia com bravura e orgulho a sociedade na qual pertencia, como de praxe, sempre havia também um vilão e sempre muito mau, sempre disfarçado de bom moço. Viveu também em meio a fotografias antigas de seu pai, fotografias nas quais mostrava a aparência de um homem quase velho o suficiente para ter sobrancelhas e bigode branco, e sempre com uma expressão de raiva, um homem amargurado.

Certo dia na escola desse rapaz, todos sempre falavam dos seus pais, de como eles eram compreensíveis, responsáveis, e inúmeras qualidades que se pode dar para tal pessoa, logo começou a dizer que seu pai era um verdadeiro herói, que tinha lutado em conflitos no oriente e que logo ganhou uma fama de herói que rapidamente foi tomada pelo governo local que necessitava de uma imagem melhor no momento.

Quanto à morte do pai do menino, bom, foi morto a facadas por algumas pessoas, nunca souberam o paradeiro das pessoas que o mataram, alguns já haviam até morrido, outros não.

Logo que o menino chegou em casa, a mesma estava vazia, ele foi aos pertences de seu pai em uma caixa escondida pela sua mãe, por alguma razão ela não queria que o garoto não fosse mexer naquela caixa, mas mesmo assim foi de encontro aquela caixa, encontrou algumas cartas antigas, alguns planos no qual o garoto não entendia o que estava escrito, viu algumas roupas antigas e fotos de algumas pessoas riscadas de vermelho com um símbolo estranho.

Entre eles sua mãe, e a sua própria foto, o menino achou estranho, e leu uma das cartas que haviam na caixa, em um trecho da carta havia o esclarecimento do que o símbolo dizia, e de forma resumida, era uma espécie de controle de suas vítimas.

O menino chorou pois percebeu que seu pai não era um herói, e sim um sedento por sangue, matava não pela honra nacional, que fosse, não justificaria.

A porta da frente da casa bateu e a sua mãe o escutou chorando no cômodo que nunca era pra ele ter entrado, ela por sua vez se ajoelhou e o abraçou, afinal, nada mais tinha o que esconder. O menino leu um dos trechos de uma carta que foi enviada à um de seus “amigos”.

“(...)Fiz uma das maiores besteiras além de ter dormido com aquela mulherzinha medíocre, eu a engravidei, não sei se mato ela ou espero a peste nascer para tirar a vida de uma criatura chorona, não aguentarei conviver com um ser comparável a mãe.(...)

O menino continuou a chorar e perguntou o motivo de tanto segredo, e a mãe respondeu ao menino que era para protegê-lo de algo que ele nunca superaria, ou que se superaria ficaria com algumas sequelas, e que ela nunca aguentaria ver a imagem de seu filho mal.

O menino perguntou se o pai dele tinha realmente sido um herói como ela sempre o contou:

- Mãe, meu pai era um heroi, não era?

 A mãe respondeu quase que sussurrando:

- Não, um sanguinário.

Logo ele entendeu que suas origens orientais não seriam por outra razão, sua mãe quase sacrificou sua própria vida para fugir daquela aldeia no oriente, pois estava sendo ameaçada pelo homem que amava, e o filho era a única razão para ela não continuar ali.

O menino descobriu que a pessoa que ele sempre via nos sonhos, o encapuzado era o sanguinário, e a pessoa rapidamente frágil no chão era ele mesmo, porém a pessoa no chão nunca morria antes do que estava com uma arma, afinal esse era morto por meio de facadas por uma mulher.

Omissões as vezes são para um bem, ou são apenas omissões.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Como de costume

Como de costume, às 4 da manhã com a cabeça doendo, ele acordou olhou para o lado da cama e não havia ninguém ao seu lado, ele escutou um batuque de panelas na cozinha, sentiu-se tranquilo após perceber que tudo estava bem. Levantou-se e foi caminhando por um longo corredor até a cozinha. Lá estava ela, de cabelos brancos, debruçada sobre uma pia cheia de louças limpas, ela era assim, perdia o sono e ia lavar louças já lavadas, varrer a casa ou tomar um café. Seus filhos não os entendiam, ‘’como pode alguém acordar a essa hora da manhã e fazer tanto barulho?’’ aos que os viam somente como um casal, “ Casados há 40 anos? Isso é farsa!”  Ninguém sabia o que os dois haviam passado.
Jonas.
Certo dia, uma enchente levou uma boa parte da safra dos pais de Jonas embora, houve seis dias consecutivos de forte chuva, Jonas e seus pais não sabiam o que fazer para contornar tal situação, resolveram e chegaram a somente uma alternativa, pegar os sacos que não foram encharcados e colocar no caminhão e partir para a cidade grande. Os primeiros meses, Jonas e seus pais sofreram por terem apena milho para as refeições e somente um carro para dormir, enquanto parte do dia, todos iam para a feira tentar vender a produção. Quando conseguiam vender alguma coisa, era muito pouco, sobreviveram. Ele nasceu em um pequeno vilarejo, onde fazia calor quase todos os meses, seus pais trabalhavam em uma roça e logo muito cedo, Jonas teve que abandonar os estudos para começar a trabalhar colhendo milho para o sustento da família, cuja parte da safra, era destinada ao consumo interno e a maior parte era destinada a uma pequena feira de uma grande cidade, cresceu em meio a toda loucura oferecida por aquele ambiente.
Sandra
Ela se chamava Sandra. Sandra e uma de suas irmãs cresceram em meio a muitos brinquedos, durante cada semana ganhava sempre presentes de seus tios, ou irmãos que moravam no exterior, vivia como se fosse filha única, porém uma filha única mimada que sempre frequentou as melhores escolas, tinham uma base famílias muito sólida, porém muito preconceituosa, no qual o valor de uma pessoa era medido conforme suas propriedades, por carros, viagens, saldo em contas bancárias, cargos ocupados em governo ou qualquer outra empresa, para os pais de Sandra, o caráter viria sempre em segundo plano. Sandra achava injusto medir caráter por bens, ela estava decidida a provar para os pais que todos estavam errados.
Em uma manhã ensolarada de quarta-feira, já beirava as dez, Jonas, que tinha conseguido estabilidade para levar uma vida digna e diferente do interior, avistou uma moça pouco alta com um sorriso no rosto, o sol batia em seus lábios de forma que deixara mais brilhantes do que o normal, seus cabelos quase enrolados tinham um tom reluzente, diferente de tudo o que ele havia visto por toda a vida. Essa moça era conhecida por sua simpatia, beleza, generosidade e caráter, Jonas se interessou de forma absurda, que conforme ela andava entre os pequenos espaços das barracas, ele a seguia constantemente com o olhar, até que certa vez, essa moça parou na barraca de Jonas e pediu algumas verduras, logo já estavam íntimos, até que Jonas tomou a atitude de convida-la para jantar logo após o expediente, trocaram telefones, não demorou muito para que Susana revelasse o seu nome.
 Susana e Jonas ficaram muito próximos depois de alguns encontros, todos o invejavam por ele ter conseguido uma mulher de tamanha beleza, Susana já havia conhecido os pais de Jonas já os tinha visitado no sítio, porém Susana nunca levou Jonas à casa de seus pais. Jonas sempre cobrava um encontro entre todos, mas, Susana tinha vergonha de quem Jonas era, um feirante. Houve uma tarde nebulosa no qual os dois brigaram de forma bruta, até que Susana pediu para ele a deixar na casa de sua irmã, Sandra.
Sandra II
Sandra depois de várias decepções com os pais tentando provar a sua verdade, decidiu abstrair-se de todos os problemas gerados por conta de dinheiro proporcionado por sua família. Chegando em um bairro de classe media, haviam vários prédios iguais, Jonas estacionou o carro na frente de um deles, e Susana ligou para Sandra descer e ajudar com algumas comprar que ela havia feito.
Sandra e Jonas trocaram alguns olhares e os convidou para subirem até a seu apartamento, Sandra se demonstrou mais do que humilde quando foi questionada sobre a posição dos pais em relação a profissão de Jonas, diga-se de passagem, se existe uma característica no qual Jonas presasse em uma mulher seria a humildade, Susana achava um absurdo a posição de sua irmã, ela resolveu terminar o namoro duradouro que havia tido com Jonas, e por longos meses os dois haviam perdido contato.
Passado algum tempo Jonas e Sandra haviam se encontrado por acaso em uma loja qualquer. Sandra perguntou o que ele estava fazendo, até que chegou o momento dela o convida-lo para fazer uma visita, os dois foram juntos, como amigos, compraram algumas besteiras para comer. Subiram novamente, Jonas percebeu que a casa de Sandra estava diferente, mas não só a casa estava diferente, Sandra estava diferente, conversaram por horas.
Em certo momento Sandra e Jonas ficaram sem assunto e por ventura se beijaram e passaram a noite juntos, arrepios, sussurros, respirações ofegantes, batimentos cardíacos acelerados, descanso, ali, logo ali naquele momento, Sandra e Jonas haviam se encontrado pelo resto de suas vidas. Eles resolveram assumir o seu relacionamento, primeiro à eles mesmos, só depois a sociedade, que menos importava para os dois.
Sexta à noite, havia um jantar em família na casa de Jonas. Sandra compareceu da sua melhor forma, os que estavam à mesa, a trataram de uma maneira muito educada e acanhada, os pais de Jonas, a acharam uma mulher incrível, ela tinha todos os atributos perfeitos de uma grande mulher, não por te viajado parte do mundo ou por ter pais magnatas, Sandra era, gentil e verdadeira, a cada movimento que ela fazia os deixavam maravilhados, a cada historia que contava os deixavam mais encabulados, ela conseguia passar boas impressões sem ser uma pessoa rude. O jantar já estava no final quando o telefone de Sandra tocou, e era sua irmã, Susana. Haveria uma festa surpresa para comemorar o aniversário de sua mãe, Sandra sentiu-se no dever de convidar todos os familiares de Jonas, porém ela já sabia o “risco” que correria.
Era em uma casa com muros altos, grandes jardins, Jonas compareceu e sentou-se em uma mesa um pouco distante dos outros, logo ele notou que praticamente todos os políticos do estado estavam reunidos naquela casa, e que toda as pessoas nas quais Sandra cresceu eram gente completamente sem conteúdos, onde dinheiro viria em primeiro lugar em suas vidas e logo após, bom, não existia nada além da conta bancária. Os pais de Sandra queriam apresentar toda a família para os que estavam presentes, Susana foi com o novo namorado, um michê, filho de deputado que pagava de empresário. Sandra não foi.
Jonas perguntou o motivo dela não ir, e ela explicou que só iria se pudesse apresentar Jonas, e que quanto a isso os seus pais se recusaram a aceitar que sua filha estava envolvida com um feirante imundo, e sem “princípios”. O pai de Sandra tentou matar Jonas a qualquer custo, era uma vergonha aquilo para a família, inadmissível.
Anos se passaram e os dois não tinham o menor contato com a família de Sandra, Susana e o michê se casaram e tiveram filhos, moravam em um sítio no qual o pai do rapaz tinha “doado” antes de seu mandato ser cassado, não chegaram a ter uma vida conjugal de maneira “decente” (partindo do que você chama de decência), eram apenas mais um casal de caseiros imundos... Porcos, uma vergonha para os pais, e para eles mesmos. Ridículos.
Sandra e Jonas se casaram em uma cerimônia simples, porém, encantadora. Os pais de Sandra compareceram, mas sempre com um ar de desaprovação. Já os de Jonas ficaram encantados quanto a esposa que seu filho arrumara. Logo, os dois multiplicaram seus bens e criaram os filhos com princípios morais aceitáveis. O tratamento dos pais de Sandra mudaram para com Jonas e sua família, porém Jonas ainda se sentia um “intruso” em todo aquele circulo vicioso de falsidade.
Não precisou muito para que Jonas e Sandra percebessem que se amavam de maneira verdadeira, não de maneira interesseira. E Como de costume, 40 anos se passaram, e ela continuava a mesma mulher e ele o mesmo rapaz que conheceram há anos atrás.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Uma brilhante e clara imaginação

Eva era uma criança surpreendente, tão surpreendente, que tinha o mundo aos seus pés. Os pais faziam o que podiam para dar-lhe uma boa infância, uma garota cujo tinha vários amigos, brinquedos, boas notas na escola, obediente, porém nada disso não a satisfazia, ela não era mimada, nem era carente. Durante a semana sempre ia a escola estudar e ‘’exibir’’ suas bonecas às amigas, elas a tinha como uma rainha, Eva, tinha um grande senso de liderança. Nos fins de semana todas elas se reuniam na casa de uma das meninas do grupo, para conversar e fazer um tipo de terapia, penteavam os cabelos enquanto todas elas criavam algum tipo de fantasia e chamavam de segredo, nenhum era real, passavam a noite toda inventando amigos imaginários, cansavam e dormiam.
Em uma dessas noites, Eva criou uma amiga imaginaria tão ‘’real’’ (para ela) que com ou sem aquelas meninas da escola ela tinha a quem contar historias sem que essas fossem espalhadas, Eva tinha achado em quem confiar, algumas vezes ela se sentia perdida, porém ela sempre recorria  à essa amiga imaginaria, definitivamente, Eva nunca mais ficou só, sempre conversavam sobre, ‘’coisas de meninas’’, sobre artes, era impressionante como elas tinham afinidade, discordavam em algumas coisas, poucas, embora Eva gostasse mais de chocolates e a sua amiga preferisse balas.
Eva tinha crescido um pouco, sua forma de pensar se tornou mais adulta em relação às outras crianças que queriam apenas brincar, ela aprendia os valores de uma vida social a todo o momento, sua conduta moral era moldada a todos os dias, aprendeu a dividir, a ajudar, embora não em uma realidade convencional, para todos, não era uma realidade convencional, ela estava enlouquecendo, uma menina conversando com o “vento”, brincando como “vento” pra os outros, Eva estava enlouquecendo. Porém para Eva, tudo era normal, não havia nada demais em ter uma amiga que todos não poderiam ver, ela conseguia. Seus pais acharam tudo aquilo estranho e decidiram enviar Eva a uma psicóloga.
Chegando na sala, a psicóloga contou de forma lúdica para Eva que nada disso era real, que ela deveria se apegar ao que era visível, porém Eva disse que, não existe graça ao que é visível, somente no que é invisível há mistério, e isso ninguém ver, essas coisas a agradavam. A psicóloga achou estranho, aquela criança falando como uma pessoa de idade avançada, porém a pequena garota tinha realmente razão. Com mais algumas sessões de terapia, Eva estava farta de dizer que realmente conseguia acreditar que sua amiga realmente existia, decidiu negar a cria de sua imaginação, e a psicóloga a deixou ir embora. Finalmente Eva estava a salvo.
Passou alguns dias sem lembrar de sua amiga imaginária, até que um certo dia, comendo balas, lembrou-se e resolveu chamar sua imaginação, tentou muitas, muitas vezes, estava cansada de tentar fazer com que sua amiga a escutasse, até que desistiu. Com o passar dos anos, Eva começou a escutar sons que normalmente não escutara, ela tinha finalmente reencontrado o fruto de uma mente fértil; Sua amiga, sem nome até então, queria saber o motivo da mentira, eram tão leais, Clara, e Eva tiveram uma longa e demorada discussão sobre verdades e mentiras, Clara tinha se afastado de maneira que não mais voltaria a se falar com tanta frequência nem tanta “verdade”, não se tratava de uma relação falsa, tratava-se de uma relação de lealdade quebrada por mentiras, negações.
Eva cresceu, porém ainda guardava doces lembranças de Clara, sentia falta das noites na casa das amigas, das conversas jogadas fora, de dividir balas, chocolates, brincar com o vento, o fato é que Clara, era fruto de uma imaginação infantil que tinha se tornado real para Eva, ambas eram irmãs, Clara desapareceu com o passar dos anos, tornaram-se conhecidas estranhas, Eva cuidou de sua vida, ocupou sua mente com coisas mais imediatas, não tinha mais tempo para uma amizade imaginária. Quanto a Clara, essa desapareceu.

sábado, 4 de junho de 2011

Bastava acreditar

­­­­­­­­­Havia uma sociedade formada por insetos, dentro dessa sociedade havia subdivisões, o Inseto de ordem Superior, no qual era tão perfeito e isento de erros, nenhum outro inseto poderia chegar a tamanha perfeição, esse Inseto Superior comandava e ditava as regras para essa sociedade. Após esse ser supremo tinha os insetos chamados passíveis, esses insetos erravam, seguiam as ordens colocadas pelo Inseto Superior, eram totalmente passiveis, porém sem eles essa sociedade ‘parava’, eles eram responsáveis pela busca de alimentos, pelas construções, eram verdadeiras máquinas de trabalho, porém não eram perfeitos.  Havia outra subdivisão, na qual todos sentiam nojo, e nenhum inseto queria ser parecido ou seguir o estilo de vida desses insetos, todos os insetos passiveis, tinham medo dessa espécie, por onde eles passava, não demorava muito, as flores murchavam, as folhas caiam e todos ficavam doente, uma doença ainda desconhecida, esses insetos nojentos não temiam a todos, eles temiam o Inseto Superior, no qual como mencionado, tudo comandava.
No começo da fundação dessa sociedade, os insetos destruidores eram aliados ao inseto superior, eles ficaram encarregado de dar os primeiros passos para tal civilização, plantar, colher, eram todos responsáveis pelo bom andamento do povo, eles. Houve um tempo onde tudo ocorreu de forma ordenada, até que em um certo momento esses ‘aliados’ acharam que poderiam também dar as mesmas ordens que o Superior dava. Eles tentaram a todo custo até o momento que foram exilados, passado um tempo, voltaram.
Nesse determinado tempo a cidade já tina sido povoada com os passiveis, os insetos destruidores chegaram de forma assustadora, fazendo com que aquela região se tornasse doente, muitos passíveis acreditaram que essas doenças não eram capazes de os atingir, de tanto acreditar, tornou-se verdade, porém os que se deixaram ser levados pelo pensamento de que seriam impotente ficaram abatidos, doentes, grande parte dos passiveis se entregaram de fora que nunca mais pudessem estar ‘puros’ novamente, outra parte não aceitou aquela situação imposta por seres exteriores ao que eles acreditavam.
Parte dos insetos doentes levavam suas doenças como rotina, eles achavam que estava tudo normal, que com apenas alguns remédios eles seriam curados desse surto doentio, muitos de fato, gostavam (e muito) de estar doentes, era a melhor coisa que poderia ter acontecido em suas vidas, nada de trabalho, nada de ‘ordens suprema’, porém essa tal liberdade trouxe a fome, por exemplo, em uma sociedade onde todos trabalham para consumo interno, quem não planta, não colhe, se tornaram preguiçosos, eram escravos de suas próprias vontades.
Outra parte dos insetos doentes, perceberam que esses ‘insetos radicais e livres’ não tinham nada de radicais ou livres, no momento em que se deixaram agir pela emoção, todas as coisas dotadas de razão foram deixadas de lado. Esses insetos passíveis, doentes, buscaram ajuda com o seu líder, ou supremo como queira. O Inseto superior, no qual todos queriam ser parecido, dotado de inteligência, saúde, razão e humildade, se compadeceu da situação dos seus seguidores e resolveu lhes ofertar o elixir de cura. Ninguém sabia que o Inseto Supremo, já sabia que isso iria acontecer e que o mesmo tinha preparado essas doses de cura. Não passava de um efeito placebo. O que o Inseto Supremo queria era apenas fazer que tudo aquilo não passava de uma mera enganação da raça inferior.
O inseto Supremo esperou que os que se sentissem à vontade dele o chegassem e pedissem o elixir, ele não negava, dava e ainda os aconselhavam a como seguir sem que essa peste viesse novamente tirar a tranquilidade de suas casas. Por fim, os que se deixaram levar pelo comodismo, muitos morreram pouco tempo depois, sem força para trabalhar nem ao menos viver. Os insetos destruidores estavam a espera de mais algum ‘bobalhão’ que caísse nas suas presas. Os insetos passíveis que deixaram o comodismo de lado e acreditaram em si, conseguiram mudar o curso de suas historias, e criaram uma nova sociedade, onde todos viviam harmoniosamente.
Quanto ao Supremo, ele estava agora, vagando entre as duas cidades, assim todos os que quisessem sua ajuda poderiam chegar a ele de forma rápida e tranquila. Ele estava ali para ajudar todos os que precisavam, ele estava ali para mudar quem queria ser mudado, e aconselhar aqueles que já tinham passado por uma fase ruim, era normal, todos passam por fases ruins cabia ao próprio ser, permanecer morrendo aos poucos, ou sair de determinada situação, bastava acreditar.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Um bom brasileiro

Ele era um bom moço, andava sempre arrodeado de boas companhias, sempre tinha boas conversas, era intelectual e tirava boas notas na escola, seus pais o tinham como exemplo para os seus outros três irmãos. Desses três irmãos, não havia nenhum que desse menos dor de cabeça aos pais, os ambos eram maus elementos em uma sociedade cheio de moralismo, como visto, apenas o quarto filho era o exemplo a ser seguido, o bom moço.
Passado algum tempo, esse menino começou a andar com companhias que todos julgavam como companhias ruins, esses amigos o ensinaram a quebrar regras como ninguém, o dinheiro antes aplicado em ensino, agora era aplicado em sexo com mulheres de várias etnias, achou as drogas, conseguiu facilmente com esses amigos, até que ele começou a questionar seus valores, se o que tinha aprendido era realmente certo ou se estava sendo apenas um protótipo dos pais.
Depois de muito pensar, ele chegou à conclusão de que poderia conciliar a vida de ‘pegador’ com essa ‘menos’ descolada, na opinião do sujeito, ele foi seguindo com esse estilo de vida invejado por todos, para seus amigos ele era apenas mais um ser insignificante que tinha sido moldado segundo o molde construído pelos amigos, ele porém pensou que estava livre, tinha finalmente virado um homem, conseguido independência.
Até que todo esse pseudo poder subiu à sua cabeça, largou a família, amigos, o trabalho, vivia só, comprou casa, carro, viajou, pegou todas as mulheres que julgava boa, acabou com o sonho de criança de todas elas, se afundou em mais drogas, cheirava uma carreira todos os dias, no mínimo. Ele começou a pensar como um positivista no sentido de viver sozinho, se sentia um homem evoluído. Passou anos assim.
Achou uma mulher que o deixou como um otário, pensava nela todas as vezes que ele via uma mulher qualquer, ela era realmente uma linda mulher, seios fartos,  cabelos escuros e longos, olhos castanhos e amendoados, suas palavras saíam de sua boca como música, a forma como ela caminhava o fazia pensar de forma linda o mais grotesco sexo, de fato era uma mulher arrebatadora. Ele até que conseguiu ficar com ela por uns anos, ele passou a ser um sonhador.
Mas o que ele não sabia era que essa mulher foi moldada como um simples ovo de pascoa pelos mesmos amigos  que o moldaram anos atrás, assim como ele fez com muitas, acabou com o sonho do ‘príncipe encantado’ , ela acabou com o sonho de adulto dele, uma mulher perfeita, descobriu doenças quase que incuráveis, estava doente por conta das atitudes tomadas anteriormente, um perfeito idiota tinha caído nas garras de si mesmo.
Hoje esse senhor tenta voltar a pensar como antes, se arrependeu do que fez, tenta voltar a ter contato com sua família, não achou mais a musa que o fez a beleza de se sentir um só, os amigos se tornaram desconhecidos, haviam mudado por ironia do destino, a respeito dos outros 3 irmão, ele tentaram encontrar um rumo para suas vidas antes que fosse tarde demais, conseguiram. Enquanto o rapaz, provavelmente ele nunca vai ter o tempo necessário para voltar atrás e consertar seus erros, apesar de tentar viver de forma nova hoje. Ou então ele até poderia ter um final melhor quem sabe, encontrando uma mulher que o fizesse melhor em relação a vida. Aos amigos, ele nunca mais encontrou amigos.

Ah! Como seria bom se seus amigos, realmente fossem seus amigos.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Em memória ao pai.

Ele tinha 6 anos, porém a responsabilidade de um homem de 50 anos, o pai era apenas um velho rico com uma grande quantidade de bens a serem conservados. O filho o amava.
Ele era um pai ausente, achava que o dinheiro supriria a real necessidade que um pai tem de um filho. O presenteou com as melhores escolas, as melhores roupas, ele tinha uma influência totalmente enorme na sociedade, porém acabou por deixar o filho só. O pai entrou em depressão profunda, e a responsabilidade daquela criança foi aumentando, aquele menino passou a cuidar de tudo o que o pai o tinha. O menino acabou por perder sua infância, ele cresceu.
Passaram se anos, o menino se tornou um adulto e o pai continuava em depressão, o menino deixou sua namorada, com ela tinham um relacionamento estável, deixou suas responsabilidades de lado, conseguiu muitas companhias, apenas amigos de sexta e sábado à noite, se deixou levar pelas más influências, foi até onde lhe achava conveniente, ganhou carros, fama e mais dinheiro, achou que estava ‘vivendo’ .
Após semanas, ele percebeu que o pai precisava dele apesar de não merecer tanta atenção, o filho esqueceu de si,  e passou a viver a vida do pai, frequentava as reuniões, passou a tomar partido da conservação dos bens do pai. Parou os estudos e continuou com o antigo estilo de vida, porem com a responsabilidade que lhe foi obrigada.
O pai quase morto, quase em estado vegetativo, beirando a morte pediu para que um de seus empregados ligasse para o filho, assim foi feito. O filho chegou ao lado da cama onde seu pai estava e o pai sussurrando disse para que ele lhe dissesse ao menos um dos valores que o ensinou quando criança, o filho deu uma volta em suas memórias e viu que nada tinha aprendido com o pai.
Já fazia umas 3 semanas desde a morte do pai, o filho não se conformou de não ter falado nada ao pai, o filho hoje tenta se livrar da responsabilidade deixada pelo pai, mas não consegue, essa responsabilidade deixada como legado, é a presença do pai transformada em concreto, o filho então vai vagando pelas terras, em memória ao pai.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

A mulher visivelmente invisível.

Compre aquele carro, more naquele bairro, case com uma mulher que te satisfaça, ela deve trabalhar, deve ser uma que lave, passe, cozinhe e no fim da noite ainda esteja pronta para aguentar você no pé do ouvido dela. Case com uma mulher na qual esteja de pé as 6 as manhã com seu café pronto, com as crianças arrumadas pronta para leva-los à escola e logo após ir ao trabalho, de 8 da manhã até as 10 da noite.
Você às 3, está de mau humor por ter que ir até a escola pegar seus 2 filhos. Você então decide ligar para sua mulher, e a trata como uma empregada irresponsável, deixa seus filhos na escola de línguas, e volta ao seu escritório que fica em casa você lembra que seus filhos estudam a 2 quadras de casa, e que a escola de línguas é em um prédio a 30 metros da sua casa. Continua de mau humor.
Sua esposa chega, vocês passam 10 minutos brigando, de 10:00 até as 10:10 da noite, seus filhos estão no quarto assistindo aos filmes e brincando com os brinquedos que sua esposa comprou, um de seus filhos vê aquela cena, você a tratando como uma empregada incompetente por não cumprir com seus deveres. Sua esposa chorando, faz o jantar, fala com os empregados, diz que estão todos liberados por mais um dia de trabalho. Fala com os filhos, e decepcionada vai até um hall na sua casa, seus filhos a essa altura já dormem como anjos, está na hora de dormir, você vai até sua esposa e a pede desculpa por ter lhe tratado de tal forma. Ela de bom coração aceita suas desculpas. Vão para cama e passam a noite juntos.
No outro dia a mesma rotina. Café, escola, trabalho, casa, briga... Isso acontece por meses, até que em um dia ela desiste de tentar fazer com que esse casamento dê certo, ela diz que quer separação, você a trata de forma inadequada. Ela se despede dos filhos que só poderá vê-los no fim de semana. Você acorda e ver, que não há café, não há roupa, não há quem leve as crianças à escola e brinque de ‘avião’ para distrair seus filhos no caminho, descobre durante a noite, que sua casa está em desordem, descobre que, parabéns acaba de perder a mulher de sua vida.
Você está agora com 50 anos, pensando como seria ter aquela mulher ao seu lado, pensando mais, como seria ter sua família ao seu lado, até por que seus filhos decidiram morar em países no exterior, você está completamente só, você não tem ao seus pais, nem seus filhos, nem sua esposa, e o pior, você não tem mais nem mesmo a você, pronto, você acabou de descobrir que perdeu tudo, até a sua própria vida, na qual não deu o menor valor.