segunda-feira, 16 de maio de 2011

O Nômade o Mamão e as Laranjas

Haviam dez nômades, nove na faixa dos 60 anos, e apenas um com 20 anos, perderam sua vida a procura de mamões perfeitos, apenas o de 20 teria de continuar sua procura.
Falaram a ele que os melhores mamões não existiam mais, os que esses mamões que ainda existiam, tinham donos, que por sinal não davam nenhum valor à beleza desse mamões, eram mamões sem defeitos, cheiravam bem, possuíam o interior extremamente atraente, tanto quanto seu exterior, eram perfeitos, porém escassos, os nove velhos passaram 50 anos de suas vidas atrás desses mamões, alguns conseguiram ao menos tocar em um desses mamões, outros não tiveram a mesma sorte. Havia também várias laranjas, algumas mais azedas do que as outras, umas maiores outras menores, mas cada uma com sua beleza, não eram perfeitas. Era quase um insulto à honra comer laranjas e não conquistar mamões, era questão de honra conseguir ao menos um mamão durante sua vida.
O jovem de vinte anos não se conformava em ter que ficar ali ouvindo instruções de como achar o mamão perfeito que lhe desse segurança e o saciasse todas as vezes que pedir, lhe era ensinado a maneira de como agir para conquistar esses difíceis mamões, como devia subir em um mamoeiro sem que caísse ou quebrasse de vez esses poucos mamões escassos que restavam sem donos. Sozinho, foi à procura pelo mamão que o saciasse e atendesse as suas vontades sempre que pedisse. Andou por meses, alimentava um pensamento de que quando achasse esse mamão, iria dar o valor necessário, iria fazer diferente de todos os outros donos, afinal andou meses a procura de apenas um. Achou, o jovem chegou a provar esse mamão, saciou sua vontade, seu desejo, foi tratado da forma no qual todos julgam ser a maneira correta para os seus padrões, quis voltar para casa e mostrar o que tinha conseguido.
Durante sua volta, viu que havia vários mamões jogados no caminho, todos sem donos, porém, estraçalhados, se tornaram laranjas, ele acreditou que nunca faria do seu mamão uma laranja, azeda e sem beleza alguma. Apenas achou, com o passar dos dias, seu comportamento diante aquele mamão que fazia suas vontades, se tornou indiferente, já não tratava o mamão com tanto fascínio, era sempre o mesmo sabor, as mesma cor porém ainda tinha um grande respeito pelo mamão, tinha passado por dias gloriosos ao lado do mamão. Porém depois que viu que esse mamão não mudava, não lhe satisfazia mais, decidiu apenas respeitar, começou a se questionar, o que tinha de tão ruim com as laranjas, se fossem tão ruins, os mamões não se transformariam em laranjas verdes, decidiu abandonar o mamão e provar da laranja.
Se apaixonou por aquela laranja azeda, que conforme os dias, variava de cores, passava do azedo ao doce de forma jamais vista, as laranjas eram mal vistas pelo fato de serem azedas e pelo fato de existir muitas laranjas iguais, mas, ele nunca tinha achado algo tão incomum quanto as laranjas, teve muitos dias ruins com essa laranja, apesar de alguns dias bons, a maneira de tratar a laranja era de difícil compreensão para qualquer ser dotado de inteligência, em alguns dias tinha a laranja como um objeto, mas em outros dias tinha a laranja como um ser vivente. Era a mais perfeita laranja, porém, já estava de saco cheio dessa laranja que mudava tanto, estava cansado de tanta surpresas. A laranja nunca o saciava como ele queria.
Então ele se lembrou do mamão, sim, aquele mamão perfeito, no qual o saciava e supria suas necessidades, aquele mamão previsível, que tinha cor e textura perfeita, passaram 30 anos, agora aquele jovem não era mais um jovem, era um homem de meia idade tentando voltar pra casa, tinha uma historia a ser contada as outros nômades, chegou em casa e viu que estava só, viu que não tinha mais como ir atrás do tal mamão, achou-se em desespero, provou mais laranjas e laranjas afim de encontrar ao menos uma que lhe fizesse lembrar o mamão, foi mal sucedido, suas esperanças havia morrido junto com os extintos mamões, ele perdeu o ultimo mamão que tinha, não havia mais mamões iguais, apenas laranjas iguais.

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